Os 21 terminais de ônibus do transporte coletivo que integram os setores da Grande Goiânia podem ser interditados. A sugestão é do RedeMob Consórcio, que reúne cinco empresas concessionárias responsáveis pelo transporte público na região Metropolitana da capital. Medida foi apresentada à imprensa na manhã desta terça-feira (7) e, segundo o conglomerado, visa diminuir aglomerações em tais lugares, além de evitar o contágio pelo novo coronavírus.

Mesmo com a redução de 70% da demanda de passageiros por causa dos decretos de isolamento social, os horários de pico continuam com fluxos significativos. Apesar da pandemia e determinações como escalonamento do comércio, por exemplo, os terminais recebem, diariamente, cerca de 163 mil pessoas, conforme dados repassados pelo Consórcio.

Atualmente, o transporte público na Grande Goiânia adota um modelo operacional de tronco alimentador. Isto significa dizer que as linhas saem dos bairros periféricos e passam pelos terminais para integrar, conectar e distribuir as pessoas que se deslocam dos mais variados locais de origem e destino nas cidades.

Para evitar aglomeração, o RedeMob propõe fechar os terminais e criar linhas diretas dos bairros mais populosos (origem) para os locais com maior demanda (destino). Até o momento, porém, não há informações sobre a quantidade de linhas que serão dispostas neste sistema, nem a quantidade de ônibus ou locais de saída e chegada dos veículos.

A proposta ainda é alvo de discussão e para ser implantada precisa do aval da Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC). Em caso de autorização, o novo modelo deve ser implementado de forma gradual entre 11 a 23 de julho.

Ganhos e perdas

O diretor executivo do RedeMob, Leomar Avelino, ressalta que a mudança terá impactos positivos e negativos. Por um lado, ele afirma que os usuários serão beneficiados com o encurtamento das viagens, já que não será necessária integração e transbordo nos terminais, sendo realizadas de forma “direta”.

Por outro lado, a proposta pode acarretar uma série de problemas, principalmente para setores mais periféricos, visto que locais em que não houver muita demanda, poderá ter aumento no tempo de espera dos ônibus.

“Vai acontecer impacto, não tem jeito. O foco é o bem coletivo e a manutenção de vidas. A população terá de programar as viagens pelo aplicativo SimRmtc para que fique menos tempo esperando no ponto de embarque”, disse.

De acordo com Avelino, grande parte dos usuários não precisará de nova integração. Aqueles que, porventura, necessitarem pegar dois ou mais ônibus podem utilizar o cartão integração e continuar viajando sem pagar nova passagem. “Em alguns casos isso não será possível, mas é uma parcela muito pequena que terá de pagar duas passagens”.

Modelo defasado

Segundo o diretor executivo do RedeMob, os terminais estão defasados e muitos sem reforma há mais de 23 anos. “Encontram-se saturados e inadequados para operação de transportes, e as aglomerações acontecem com muita facilidade”, disse. Ele afirma que basta três ônibus chegarem e desembarcarem ao mesmo tempo para reunir até 100 pessoas nos pequenos e estreitos espaço das plataformas de embarque, dando origem a uma grande aglomeração.

“Em momentos de situações extraordinárias de pandemia como a do Covid-19, este modelo operacional de transporte necessita ser repensado. Nós temos visto restrições de acessos das pessoas em supermercados, nas farmácias, mas os terminais de ônibus continuam funcionando com elevada concentração de pessoas. Diante de tudo disto, acreditamos que se faz necessário essa interdição temporária e imediata para combater o coronavírus e salvar vidas”, salientou.

O RedeMob Consórcio vai se reunir com a CMTC durante a semana para apresentar o plano e definir se o sistema será ou não adotado.

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